Publicado em 16/01/2015 - geral - Da Redação
A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) deixou lâmpadas queimadas e outras manutenções na iluminação pública, que deveriam ter sido feitas no ano passado, nas mãos de prefeituras em Minas Gerais. A partir do dia 1º deste mês, os municípios seriam obrigados a assumir os ativos de iluminação pública, conforme determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“As reclamações são diversas, desde a substituição de lâmpadas até pedido de orçamento para ampliação de rede. A Cemig não estava solucionando essas questões e alegava dificuldade operacional”, afirma o secretário de obras de Caeté, Walnei Pinheiro.
O município é um dos que não conseguiram assumir os serviços de elaboração dos projetos, manutenção, reforma e expansão da iluminação pública no último prazo estipulado pela Aneel, que foi o dia 31 de dezembro de 2014.
Em Brumadinho e Conselheiro Lafaiete, Região Central de Minas, a situação é semelhante. “Temos recebido algumas reclamações de lâmpadas queimadas nas ruas no ano passado que foram deixadas pela Cemig. Estamos iniciando uma licitação para contratação de uma empresa para cuidar dos serviços. O processo deve levar de 30 a 40 dias”, conta o diretor de água e energia de Brumadinho, José Raimundo.
“Conselheiro Lafaiete entrou num consórcio para tentar oferecer manutenção adequada da iluminação para a população, mas ficamos com um passivo muito grande dos últimos meses, principalmente de lâmpadas queimadas”, diz Alvacir Pedroso Junior, diretor de Planejamento da cidade.
A municipalização da iluminação pública já levou mais de 30 prefeituras à Justiça, conforme noticiado pelo Hoje em Dia. A Cemig só continuará fazendo os reparos na iluminação pública dos municípios que conseguiram liminar suspendendo a resolução da Aneel, até o julgamento das ações.
Em nota, a concessionária informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os consertos dos equipamentos cujos defeitos ocorreram anteriormente à transferência para os municípios, após levantamento realizado pelas próprias prefeituras, ficarão a cargo da Cemig. No entanto, o serviço só será realizado no prazo de 90 dias.
Consumidor em BH terá que esperar mais pela manutenção
O morador de Belo Horizonte pode ficar um dia a mais no escuro do que no passado. Recém-responsável pela iluminação pública da cidade, a Remo Engenharia terá prazo de seis dias úteis para realizar a manutenção dos postes, relés e lâmpadas das vias de BH.
Até dezembro do ano passado, quando a manutenção dos ativos ficava a cargo da Cemig, cinco dias era o tempo máximo permitido para que o conserto fosse feito. A prefeitura, que contratou a Remo mediante licitação, descartou aumento da Contribuição para o Custeio dos Serviços de Iluminação Pública (CIP), cuja arrecadação para 2015 deve somar R$ 85,2 milhões, segundo previsão orçamentária aprovada na Câmara Municipal.
O valor estimado na arrecadação é mais de duas vezes o firmado para os próximos dois anos entre a prefeitura e a prestadora de serviço. O contrato, segundo o Diário Oficial do Município (DOM), é de R$ 31,9 milhões. Além da Remo, no entanto, o montante que entra nos cofres do Executivo devido à CIP é utilizado para quitar a conta de luz da cidade.
A Aneel, que determinou a transferência da manutenção da iluminação pública das concessionárias para os municípios, não pode legislar sobre as prefeituras. Como consequência, a agência reguladora fica impedida de estipular um tempo para que o problema seja sanado. O prazo utilizado pela Cemig também não era determinado em resolução.
Na avaliação da funcionária pública Alessandra Augusta, moradora do Salgado Filho, na região Oeste de BH, um dia a mais no escuro pode fazer a diferença. “Moro perto de uma praça que vive com as lâmpadas queimadas. A segurança de quem passa pelo local fica prejudicada. Chego a descer em outro ponto de ônibus e andar mais para evitar o local”, afirma.
Cobrança
A iluminação pública é cobrada na conta de luz ou, no caso dos lotes vagos, no boleto do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Em BH, o valor varia de R$ 2,39 – para quem consome entre 81 quilowatts-hora (Kwh) e 100 Kwh por mês – a R$ 23,91 – para quem consome mais de 500 Kwh mensais. Para demanda abaixo de 80 Kwh por mês, há isenção da taxa.
A forma de cobrança não irá mudar. Mesmo quando a CIP era de responsabilidade da Cemig, o dinheiro arrecadado era repassado ao Executivo, que pagava os serviços da concessionária, conforme informou a assessoria de imprensa da estatal.
Ponto a ponto
A Constituição Federal de 1988 definiu que a iluminação pública é de responsabilidade do município, possibilitando a instituição da Contribuição de Iluminação Pública (CIP) que, por sua vez, pode ser arrecadada por meio da fatura de energia elétrica.
A Resolução normativa 479/2012 da Aneel prevê que a transferência da iluminação pública das concessionárias para os municípios inclui realizar, entre outras atividades, a operação e a reposição de lâmpadas, de suportes e chaves, além da troca de luminárias, reatores, relés, cabos condutores, braços e materiais de fixação.
O último prazo para ajuste dos municípios era em 31 de dezembro de 2014.
Até o mês passado, conforme a Aneel, somente 19 municípios mineiros haviam informado ter condições de assumir o serviço.
500 cidades mineiras com menos de 10 mil habitantes estão com iluminação pública precária, de acordo com a Associação Mineira de Municípios (AMM).
Fonte: Germana Delage, Giulia Mendes e Tatiana Moraes - Hoje em Dia - Fontes: Aneel e AMM