Publicado em 01/08/2012 - geral - Da Redação
TEATRO: “A CAPITAL FEDERAL” E O MICRÓBIO DA PÂNDEGA
E apoiado nesses estereótipos de alguns segmentos sociais, que seguem uma seqüência de quadros que representam uma panorâmica da cidade, o texto mostra eficiência no seu objetivo de apresentar com humor os costumes urbanos do final do século XIX. Seguindo regras de conduta moral, que sublinha a visão do autor da realidade, como também na busca do efeito histriônico, que subverte essa mesma visão, “A Capital Federal”, enquanto literatura teatral, propõe leituras que, em princípio, parecem contraditórias. Se concessões são feitas à moralidade vigente, como a punição das personagens que violam as regras do
convívio social e com um desfecho que apela para o sentimentalismo, por outro lado o texto explora uma renovação da linguagem teatral, que combina os modelos da cena burlesca com uma composição das personagens,que enquanto tipos, supõe-se baseados na realidade.
Onde? - A cidade do Rio de Janeiro, se afirmando como a capital do governo republicano, o Grande Hotel, o Largo da Carioca, os Arcos da Lapa, o Largo do São Francisco, a casa de Lola, os salões de baile, a Rua do Ouvidor são os espaços mencionados na peça.
Quem? - Uma família do interior de Minas Gerais, uma cortesã, um aposentado, jogadores, comerciantes, cocotes, literatos decadentistas e serviçais.
O Que? - A família chega à capital federal a procura de um rapaz que prometera casamento à filha e nunca mais apareceu. O tal rapaz está envolvido com Lola, a espanhola que tudo faz para lucrar com os homens. E um desses homens será Eusébio, o pai e fazendeiro de Minas, fazendo o percurso do ingênuo mundo rural para o imoral, corrompido e neurótico urbano.
Quanto às personagens, podemos notar o recurso de oposição, como por exemplo o que ocorre entre a cocote (falsa) espanhola Lola e o fazendeiro Eusébio, e também o deslocamento de algumas personagens do ambiente rural para o urbano, como no caso da família que chega do interior de Minas, em especial em Benvinda,- na qual é operada uma transformação, tornando o desajuste entre a sua origem de escrava e a nova posição de cocote uma seqüência em que o humor está presente na impossibilidade da sua mobilidade social.
O Grande Hotel Central da Capital Federal é o lugar que serve de ponto de partida dos personagens, onde apresentam suas características e intenções.
Revelado isso, partem em busca dos seus objetivos, que para Lola é encontrar Gouveia, um jogador que, em função de ser seu amante, exige que a presenteie com bens materiais. Encontrar o jogador quer também Eusébio, o fazendeiro, para cobrar uma promessa de casamento que fez à filha Quinota, quando passou pelo interior de Minas Gerais como um caixeiro viajante. E correndo por fora está Figueiredo, aposentado que aprecia mulatas e se empenha em lançá-las socialmente, interessando-se portanto por Benvinda, a agregada da família interiorana.
Dada a partida, os tipos já intensamente caracterizados, e assim compondo a encenação com base no estereótipo, atravessam a representação cenográfica de lugares que representam a capital federal, recorrendo a meios para conquistar seus objetivos que denotam, em alguns casos, total ausência ética e moral. Nesse campo fértil, Azevedo, já experiente na expressão cômica, tanto no teatro como em sua produção literária, combina gêneros de teatro popular, e assim expressa, entre buscas e fugas desabaladas, através de questão relevantes da época, como os vícios, a corrupção e os amores venais. As mesmas deste nosso triste século XXI.
Não perca este raro entretenimento de nossa cidade. Receba nossos atores que passarão vendendo os ingressos em sua casa.
SERVIÇO:
BLOCO VERME‘S E CIA apresenta: “A Capital Federal”, de Arthur Azevedo
Direção, adaptação de texto e produção de Fábio Anderson
Local: Sindicato dos Trabalhadores, R. Prefeito Joaquim Teixeira Neto, 28
Estreia: 11 e 12 de agosto (até 2 de setembro)
Horário: 21 horas.
Fones para contato: 91884943 (Érika)/ 91220221 (Camila)
Ingresso promocional: R$ 10,00 (antecipado) / R$ 12,00 (no local)
Elenco:
ÉRIKA EVANGELISTA ............................... Lola Lola
SILAS NAVARRO......................................... Gouveia
IVALDO PEREIRA ....................................... Lopes
FÁBIO RIBEIRO............................................ Eusébio
ROBÊNIA RIBEIRO ..................................... Fortunata
LETÍCIA DE LÉLIS .......................................Benvinda
CAMILA FERNANDES ................................ Quinota
Apresentando:
MARCELO BRIGAGÃO .............................. Figueiredo
GABRIEL MIRANDA .................................. Juquinha
JOÃO TUKA ................................................. Carregador 1
MARCO AURÉLIO DINI.............................. Carregador 2
LUÍSA DIAS................................................... moça alegre 1
JONATHAN BOTELHO ............................... moça alegre 2
JONATHAN GUIDA ..................................... moça alegre 3
LETÍCIA GASPAR......................................... moça alegre 4
Convidado especial:
TÁLIS PEREIRA............................................. Carregador 3
Cenário: Boca de Cena
Figurino: Boca de Cena e Reini
Sonoplastia: Evandro Moreira
Iluminação: Boca de Cena
Coreografias: João Tuka e Luísa Dias
Contra-regras: Doni Costa, Cleide Evangelista, Daniel Gobbo, Juliana Coimbra e Danielle Victor
Apoio cultural: Bloco Verme‘s e Cia, Minas Vídeo, MilBr, Drogaria Americana, Supermercado Bom Preço, Contec Contabilidade, GOE Odontologia, Foto Wilson, Versátile Lingerie, Pé de Moça, Landinha Martiniano e Rubens Abrão, Papelaria Rainha, Móveis Toninho, Ramo Verde, Drogaria São Geraldo, Padaria Moderna, Gabi Fashion, Folha Regional, Alunos do 3º ano do Colégio Pelicano 2011, Sindicato dos Trabalhadores de Muzambinho, Status Moda, Rádio Atividade.
Assessoria